PÁSCOA: NOVA DINÂMICA DA VIDA

Publicado por em 17, abril 2017

Os primeiros cristãos entenderam a Páscoa de Jesus Cristo como novo Êxodo. A Páscoa Judaica e também a Cristã são caracterizadas por movimentações, mobilidades, deslocamentos, mudanças que inspiram novas atitudes, novas formas de viver, dando visibilidade à presença de Deus na história.

Com a Ressurreição do Crucificado, Deus disse sua última palavra sobre aquela vida feita de amor e serviço que “andou por toda parte, fazendo o bem” (At 10, 38).  A morte não tem mais poder sobre ele.  E a partir dele, não tem mais poder sobre nenhum homem e mulher vindos a este mundo, visto que a Ressurreição de Cristo dentre os mortos vale para nós, não mortos ainda fisicamente, mas como vivos provindos dos mortos (cf. Rm 6,13 -14).

A luz trazida pela passagem de Jesus da morte para a vida pelo poder de Deus brilhou através e apesar das trevas que ainda continuavam com seu trabalho predatório sobre a vida: “Os sumos sacerdotes se reuniram com os anciãos e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo enquanto vós dormíeis” (Mt 28,12-13).

A vitória já está alcançada com a ressurreição de Jesus!  Deus mostrou que quer a vida, mas é preciso ter os rins cingidos, as sandálias aos pés, o cajado à mão e manter a vigilância pela defesa da vida, desde a concepção, como alertou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 11 de abril de 2017, em uma nota com o título: “Pela vida, contra o aborto”.  Fez-se um apelo veemente para as nossas comunidades se unirem em oração e se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humano, alertando que “o direito à vida é intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado”.  Por fim diz a nota: “Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos”.  Não se compreende uma pátria, mãe gentil, que se diz evoluída, matar os seus filhos, nas escondidas ou às claras, sob o pretexto de direito.

Nas celebrações imediatamente ao evento ressurreição de Jesus Cristo temos uma sequência de acontecimentos que mostra o novo impulso na vida dos seguidores de Cristo: as mulheres partiram depressa do sepulcro e correram para dar notícias aos discípulos (cf. Mt 28,8); alguns guardas foram à cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido (cf. Mt 28,11); os discípulos de Emaús voltaram para Jerusalém e contaram aos demais sobre o encontro com Jesus (cf. Lc 24,33-35).

Dentro do contexto de correria, gostaria de destacar a realidade vista por Maria Madalena que inspirou movimentação: “Ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos” (Jo 20,2-4). Para abrir nossa fé no Cristo ressuscitado precisamos realizar nossa corrida, mas devemos correr unidos, construindo formas de viver que colocam Cristo no centro, pois, onde dois ou três estão reunidos em seu nome, Ele aí se encontra (cf. Mt 18,20).

Na alegria da nova dinâmica da vida, cantemos Aleluia!  Aleluia porque Jesus tomou o que é nosso, nossas limitações. Chamou para ele nossas misérias, sem deixar de ser Deus, deixando-nos livres. “Ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades” (Is 53,5).  É nosso dever agradecer: “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! A mão direita do Senhor fez maravilhas” (Sl 117/118). É nossa salvação louvar porque Deus passou e libertou seu povo; Deus passou e ressuscitou seu Cristo dentre os mortos e nada mais poderá nos separar de seu amor manifestado em Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 8,38-39).    “Salve, ó vítima pascal!”  Feliz Páscoa!

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Salvador

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